2 de dezembro de 2011

And then came Lisbon.

Nunca pensei não ter saudades. Parecia-me inegável que, a certa altura, mergulharia novamente na procura nostálgica de um passado qualquer, que iria ao encontro das pessoas que povoaram o meu quotidiano ao longo de três anos, que sufocaria longe da quietude e dos campos húmidos pela manhã.

Não aconteceu. Nunca estive tão feliz. Recuperei o carácter extrovertido e activo que julgava ter perdido para sempre. Deixei de ter medo das pessoas. Pela primeira vez, principiei a ter objectivos, ambições, sonhos pelos quais lutar.

Esta não era, de facto, a minha cidade. Agora, talvez seja. Começa a ser.

28 de agosto de 2011

Estive na tua rua.

Finalmente, passados tantos anos. A saudade aperta. Muito.

14 de agosto de 2011

houve um dia em que provei a tua inocência.





Sinto ventos de mudança.




Talvez assim consiga desatrofiar as asas da minha imaginação...

22 de julho de 2011

Puzzle de domingo à tarde.

Rasgar assimetricamente algumas fotografias e reordenar as suas fracções de forma quase instintiva.
Recusar despir o pijama.
Coçar o nariz e rebentar borbulhas.
Esticar as pernas e cruzar os pés.
Abrir de propósito uma tesoura com o intuito de irritar a minha mãe (ela diz que tesouras abertas são sinónimo de "garreias").
Desligar o telefone.
Rodopiar na cadeiras.
Calcular o número de objectos vermelhos no meu quarto (4 almofadas, 3 velas, 3 estojos, 2 tapetes, 2 cortinados, 1 puff, duas canetas, um lápis, um agrafador).
Ver «Os Maias» fechados, a pedirem para serem lidos.
Pensar como é que tenho uma foto do Cristiano Ronaldo (e do Deco, do Maniche e do Miguel) na estante do meu quarto (vestígios da febre do Euro 2004).
Decidir arrancar o Cristiano Ronaldo e fazê-lo efectivamente.
Matutar como é que hei-de tirar os restos do autocolante da madeira do móvel.
Não chegar a nenhuma solução.
Abrir o livro de Filosofia e insistir para mim mesma que tenho de estudar.
Achar que tenho ali tudo o que preciso de saber para Alinhar à direitao teste e fechá-lo de seguida.
Jogar ao quatro e linha sozinha (e mesmo assim perder).

2009

O que resume a minha experiência de três anos de secundário.

«Cada intervalo é uma tortura porque não sei o que fazer ou com quem estar, e esteja com quem estiver sinto-me sempre a mais).»

2009

14 de julho de 2011

16 de junho de 2011

Countdown - isto e aquilo

A maior parte dos meus dias é vivida na sombra. Durante anos a fio, foram caindo sobre mim expectativas e mais expectativas, dizendo-me que tinha muito talento e que não me restaria outro caminho senão o do sucesso. Esta pressão tão avassaladora e a fasquia tão alta que coloquei a mim mesma fizeram-me, inevitavelmente, falhar.

Desisti de mim sem oferecer qualquer resistência e mergulhei num abismo em que pegar numa simples esferográfica era fonte dos mais tenebrosos receios. Iria ser sempre pior que na vez anterior, para quê tentar? Não valia a pena, era um esforço em vão.

Até que, depois, veio-me isto. Há mais de um ano que não me surgia. Primeiro, foi-me obrigando a escarvar o lixo dos últimos meses. De seguida, penetrou-me com toda a brutalidade possível, diluiu-se furiosamente em cada átomo meu.

- Pára de choramingar! Pára de ter pena de ti mesma! – gritou-me. – O futuro será sempre mais negro, sim, mas de que serve desistires?... Faz a pergunta mágica...

- Pergunta mágica? Que pergunta é essa?

Reflecti um pouco. Tentei lembrar-me do que tinha despoletado isto anteriormente. A pergunta é: “Que queres?”.

Quero... Quero experimentar aquilo que ainda não experimentei, continuar com as coisas que me dão prazer e fazer tudo o que já fiz e que já me soa irremediavelmente perdido! Enfiar a colher na crosta dura do pudim, sentir a tinta fresca numa tela, pisar os trevos húmidos ao amanhecer, cheirar os refogados da minha mãe! Enterrar os pés na areia molhada, saltar o mais alto que conseguir, ter uma guerra de balões de água! Sujar-me na terra fofa, calçar umas sapatilhas de ballet, disfrutar do silêncio de um bom livro, provar os lábios da minha musa! Quero devorar livros e livros e mais livros! Escrever, escrever, escrever, escrever até me doerem os dedos, escrever até à exaustão (por vezes, até consigo arriscar um verso, vejam lá)!

Sinto em mim a urgência de lutar contra as quadrículas do calendário! Estou eufórica, furiosa com esta inércia que me adormeceu durante tanto tempo, quero viver! Deixar arrumados numa gaveta ódios e rancores, dedicar-me exclusivamente à deleitosa tarefa de amar!

Amar-me a mim, a ti, a nós, a todos os que conheço e aos que nem faço ideia que existem! Quero pertencer a todos e não ser de ninguém, não desejo outra coisa senão abraçar a Humanidade inteira!...

Até aquilo regressar.

14 de junho de 2011

Por mais voltas que dê à cabeça, ainda não consegui decifrar o teu olhar.

Foi tímido, hesitante, lânguido. Pareceu concentrar nele ódio, raiva, inveja, desejo...
Esse desejo que há tanto nos desfaz, e que me recuso a consumá-lo - ao menos, na minha mente, será sempre perfeito...

Um dia fui a mulher da tua vida.

Se já não mereço esse título, então já não há mais nada a dizer.

22 de maio de 2011

I (don't) need a hero

Sim, eu consigo ser uma cabra. Tenho humores instáveis, tendências depressivas, auto-estima lastimável. Sou repetitiva, histérica, insegura, fútil, imatura. Não sei enfrentar os problemas de frente, não sei lutar por aquilo que amo, nunca tenho forças para viver ou para fazer o que quer que seja. Há anos que só existo porque sim, a minha única ambição é vegetar.

Como alguns dizem, não valho nada. Para a maioria, só sou interessante se contar cusquices ou falar mal dos outros. Não há nada que se aproveite em mim (nem talento nem valores), não faço falta a ninguém senão à minha família.

Isso tudo é verdade. No entanto, não pedi a ninguém que me tentasse salvar. Não necessito de nenhum herói nem das contrapartidas que isso acarreta. Não preciso de estragar a vida a mais ninguém – e pessoas que estragaram a minha já há de sobra!

15 de maio de 2011

O primeiro.

Não fazia ideia que era possível odiar sem primeiro ter sentido desejo, paixão, amor.

22 de abril de 2011

Intra-rail - 11 a 20 de Abril de 2011 (Viagem de finalistas)

Locais visitados: Coimbra, Aveiro, Porto, Guimarães, Braga e Vilarinho das Furnas.




















8 de abril de 2011

Doze meses.


Meu pássaro azul,

O mero acaso que te levou a repousar nos meus ramos não poderia ter sido mais feliz.

Foste tu quem me libertou das raízes de um passado áspero e masoquista. Transportaste as minhas sementes e deixaste-as multiplicar em infinitos “eus”( que nunca pensei existirem nestes troncos ocos). Ensinaste-me a enterrar complexos, medos e preconceitos, deste-me liberdade para aprender a viver.

Em suma, trata-se disso mesmo, de libertação. Pensei que eras só tu quem poderia voar, contudo, contrariaste-me e, aos poucos e poucos, foste desvirginando a folhagem da minha alma até chegares até mim.

Graças a ti, deixei de ser uma árvore e inerte e, tal como tu, já consigo voar. Finalmente.

Com carinho.

26 de março de 2011

neura de sábado.

A minha vida sem ti pode ser muito mais vazia, mas ao menos é verdadeira.

Torre de Babel.

Sinto-me entontecer. Uma amálgama de vozes penetra-me os tímpanos e vai-me ensurdecendo com uma intensidade cada vez maior. Estou exausta, não aguento mais, quero sair daqui.

Estou farta das conversas, das intrigas, das discussões. Farta de tantas pessoas a interrogarem-me o porquê, de me atribuírem tarefas e responsabilidades como se fosse o único ser humano à face da Terra, de despejarem tudo e mais alguma coisa em cima dos meus ombros. Farta de ter de fingir que está tudo bem e de ter de aceitar a incompreensão de quem sabe perfeitamente que não está – Se se estão nas tintas para mim, porque não tenho eu o direito de me estar nas tintas para vocês?! Caramba, sinto-me a sufocar neste cubículo, dêem-me paz!

É só o que quero... Não ter mais preocupações ou chatices, não ter de responder a mais ninguém e ficar a sós com a minha dor. Afinal, é só ela que me resta...